Category: Arte

BUTCH por Meg Allen

Posted by on 24 Sep 2014 at 23:22 in Arte, Fotografia

Butch by Meg Allen Studio Couple by Meg Allen Studio

BUTCH por Meg Allen é uma série linda de fotos que retratam a cultura butch da região de São Francisco nos Estados Unidos. Ela descreve o projeto como:

“BUTCH é um projeto de retrato ambiental e exploração da estética & identidade butch e apresentação da masculinidade feminina, tal como está em 2013-14. É uma celebração dos que habitam fora do rigoroso binário social que separa os sexos e um olhar dentro dos espaços privados e muitas vezes invisíveis de pessoas que exalam um sentido autêntico de si mesmo”.

Family by Meg Allen Studio Tullius by Meg Allen Studio

Fotografia, para mim, é uma forma de arte e comunicação. Eu adoro quando retratos me inspiram e surpreendem. E gosto ainda mais quando abrem a minha mente para algo novo. Fiquei bastante comovida e impressionada por essas mulheres que não tem medo de serem si mesmas e que não se moldam às expectativas da nossa sociedade em relação à aparência das mulheres. Elas são poderosas e bonitas.

Meg Allen Studio - Butch Michelle by Meg Allen Studio

Por favor, confira todas essas fotos incríveis em tamanho original e muitas outras no site Meg Allen Studio.

Os Benefícios da Lua

Posted by on 14 Feb 2014 at 20:15 in Arte

Os Benefícios da Lua de Charles Baudelaire
Publicado em 1869

A Lua, que é a própria imagem do capricho, olhou pela janela enquanto dormias em teu berço, e disse consigo mesma: – “Esta criança me agrada.”

E desceu maciamente a sua escada de nuvens, e deslizou sem ruído através das vidraças. E pousou sobre ti com um suave carinho de mãe, e depôs as suas cores em tuas faces. Então, tuas pupilas se fizeram verdes, e tuas faces extraordináriamente pálidas. Foi contemplando essa visitante que teus olhos se dilataram de modo tão estranho, e ela com tão viva ternura te apertou a garganta que ficaste, para sempre, com vontade de chorar.

Entretanto, na expansão da sua alegria, a Lua invadia todo o quarto, como uma atmosfera fosfórica, como um peixe luminoso; e toda esta luz viva pensava e dizia:

– Tu sofrerás para sempre a influência do meu beijo. Serás bela à minha maneira. Amarás o que eu amo e o que me ama: a água, as nuvens, o silêncio e a noite; o mar imenso e verde; a água informe e multiforme; o lugar onde não estiveres; o amante que não conheceres; as flores monstruosas; os perfumes que fazem delirar; os gatos que desmaiam sobre pianos e gemem que nem as mulheres, com uma doce voz enrouquecida!

Dark half moon

“E tu serás amada pelos meus amantes, cortejada pelos meus cortejadores. Serás a rainha dos homens de olhos verdes a quem também estreitei a garganta em minhas carícias noturnas; daqueles que amam o mar, o mar imenso, tumultuoso e verde, a água informe e multiforme, o lugar onde não estão, a mulher que não conhecem, as flores sinistras que segurem incensórios de alguma religião ignota, os perfumes que turbam a vontade, e os animais selvagens e voluptuosos que são os emblemas de sua loucura.”

E é por isso, maldita e querida criança mimada, que estou agora prosternando a teus pés, buscando em toda a tua pessoa o reflexo da terrível Divindade, da fatídica madrinha, da ama-de-leite envenenadora de todos os lunáticos.

 

Mulher Póstuma

Posted by on 26 Aug 2008 at 15:03 in Arte, Pessoas

Se Nietzsche é o homem póstumo, Lou Salomé é, com certeza, a mulher póstuma. Amiga, aluna, amante, musa e inspiradora de vários gênios de sua época, entre eles Nietzsche, Paul Rée, Rilke, Wagner e Freud. Escreveu livros, poemas e dedicou-se à psicanálise. Alias foi a quem Freud confiou o tratamento de sua filha. Ponho aqui um dos poemas de Lou que Nietzsche musicou: Hino à Vida

Claro, como se ama um amigo
Eu te amo, vida enigmática
Que me tenhas feito exultar ou chorar,
Que me tenhas trazido felicidade ou sofrimento,
Amo-te com toda a tua crueldade,
E se deves me aniquilar,
Eu me arrancarei de teus braços
Como alguém se arranca do seio de um amigo.
Com todas as minhas forças te aperto!
Que tuas chamas me devorem,
No fogo do combate, permite-me
Sondar mais longe teu mistério.
Ser, pensar durante milênios!
Encerra-me em teus dois braços:
Se não tens mais alegria a me ofertar
Pois bem – restam-te teus tormentos.